A trajetória do delegado Guilherme Scucuglia Cezar na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul reúne passagens por unidades especializadas, funções de comando, reconhecimento institucional e participação na formação de novos policiais. Ao longo da carreira, também recebeu homenagens legislativas e uma promoção por ato de bravura concedida pela própria instituição.
Natural de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, Guilherme ingressou na Polícia Civil sul-mato-grossense em 2014. Sua primeira lotação foi em Bataguassu, onde permaneceu por aproximadamente quatro anos. Depois, atuou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), em Dourados, antes de seguir para Nova Andradina.
Na Delegacia Regional de Nova Andradina, assumiu a Seção de Investigações Gerais (SIG), participando de investigações e da coordenação de equipes policiais. Em junho de 2022, foi transferido para Campo Grande, onde passou a integrar o Garras, unidade especializada na repressão a roubos a bancos, assaltos e sequestros. Posteriormente, assumiu a titularidade da delegacia.
A passagem por Nova Andradina deixou registros de reconhecimento legislativo. Em 2021, uma moção apresentada na Câmara Municipal homenageou policiais envolvidos em operações de investigação e apreensão de entorpecentes, entre eles Guilherme. No ano seguinte, ele recebeu uma moção individual pelos serviços prestados ao município, quando deixava a SIG para assumir funções no Garras.
Outro reconhecimento veio da própria instituição. Em novembro de 2023, o Conselho Superior da Polícia Civil deferiu, por unanimidade, sua promoção extraordinária por ato de bravura, em processo que também contemplou outros policiais civis. Em maio de 2025, em um procedimento distinto, relacionado a outra ação policial, o Conselho indeferiu um novo pedido de promoção por bravura, mas concedeu elogio aos participantes.
Ao receber uma das homenagens do Legislativo, Guilherme fez questão de dividir o mérito com os colegas de profissão. “Não existe trabalho policial sem a atuação em equipe”, afirmou na ocasião. Em sua manifestação, agradeceu aos policiais que o acompanharam ao longo de sua trajetória, atribuindo a eles parte importante de sua formação profissional e dos resultados alcançados no atendimento às vítimas.
Em junho de 2025, após sua passagem pelo Garras, assumiu a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), sediada em Dourados. À frente da unidade, passou a coordenar uma estrutura estratégica no combate ao tráfico de drogas, armas e outros crimes relacionados à fronteira com o Paraguai.
A Defron atua em uma região de grande importância para a segurança pública, com investigações e operações voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas. Entre as atividades da unidade estão apreensões de entorpecentes e procedimentos de destruição de drogas, realizados conforme os protocolos legais.
O reconhecimento ao trabalho da unidade também chegou a outros municípios. Em março de 2026, quando Guilherme estava à frente da Defron, a Câmara Municipal de Nova Alvorada do Sul aprovou por unanimidade uma Moção de Reconhecimento à delegacia. A homenagem, proposta pela vereadora Andrea Fim, destacou a atuação da equipe no fortalecimento da segurança pública e nas investigações relacionadas à região de fronteira.
Em maio de 2026, Guilherme deixou a chefia da Defron e retornou à Delegacia Regional de Nova Andradina, onde exerceu a função de delegado-adjunto. Em setembro, passou a integrar a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf), em Campo Grande, também como adjunto.
Outra dimensão de sua carreira está relacionada à formação profissional. Guilherme atua como instrutor da Academia de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Acadepol), onde ministra a disciplina de Técnica, Procedimentos e Prática Operacional (TPPO). Em 2025, também integrou a coordenação do III Curso de Operações Policiais do Garras, atividade voltada à preparação técnica de policiais.
O trabalho em unidades especializadas também envolve articulação e troca de experiências com profissionais de diferentes órgãos e corporações das esferas municipal, estadual e federal. Essa integração faz parte de uma atividade que exige cooperação entre equipes e instituições de segurança pública.
Fora do ambiente profissional, uma publicação pessoal revela outro aspecto de sua trajetória. Ao compartilhar a emoção de receber a faixa preta de karatê pelas mãos do próprio pai, Guilherme definiu aquele momento como um daqueles que mereceriam ser vividos eternamente. A reflexão, acompanhada de referências filosóficas sobre disciplina, escolhas e o significado das coisas importantes, também destacou o valor dos vínculos familiares e dos princípios pessoais.
A trajetória do delegado passou a receber atenção pública após ele ser alvo de mandado de busca e apreensão na segunda fase da Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura suspeitas de desvio de drogas apreendidas na Defron e envolve policiais que atuaram na unidade entre junho de 2025 e maio de 2026.
A defesa de Guilherme, conduzida pelo advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, afirma que o delegado foi designado pela cúpula da Polícia Civil para apurar irregularidades envolvendo outros servidores na própria unidade de fronteira. Segundo o advogado, teria ocorrido uma falha de comunicação entre as instituições responsáveis pelas investigações, fazendo com que uma atuação institucional sigilosa fosse interpretada de maneira equivocada.
A defesa também sustenta que a referência ao delegado surgiu em conversas de terceiros, nas quais teria sido utilizado o apelido “delegado cabeludinho”. Segundo o advogado, durante as buscas realizadas nos endereços relacionados a Guilherme, não houve apreensão de drogas, armas, bens ilícitos ou valores considerados suspeitos, afirmando que os agentes não encontraram nenhum material que pudesse comprometê-lo.
O pedido de prisão preventiva não foi acolhido pela Justiça, que autorizou as medidas de busca e apreensão. A decisão sobre a prisão, porém, não representa julgamento definitivo sobre o mérito da investigação. A apuração continua, e as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas. A trajetória profissional, as homenagens e os reconhecimentos institucionais integram o histórico do delegado, mas não substituem a análise dos fatos investigados. Da mesma forma, a existência de medidas investigativas não significa comprovação de culpa.

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