MATO GROSSO DO SUL

Entre flores e calor extremo, MS sente a conta da crise climática

Calor de até 43°C e a consequência de décadas de agressão ao meio ambiente

Calor intenso e risco de temporais mostram que proteger a natureza também é proteger a vida de quem mora no Estado. (Foto arquivo) Calor intenso e risco de temporais mostram que proteger a natureza também é proteger a vida de quem mora no Estado. (Foto arquivo)

A primavera mal começou e Mato Grosso do Sul já enfrenta uma previsão de até 43°C no Pantanal. Em Campo Grande, os termômetros podem chegar a 36°C no domingo. Para os próximos meses, o Inmet prevê chuva acima da média no Estado e temperaturas elevadas em grande parte do país. É uma estação que exige atenção ao calor, ao fogo e, com a volta das chuvas, aos temporais.

Mato Grosso do Sul enfrenta o início da primavera com previsão de até 43°C no Pantanal e 36°C em Campo Grande. O Inmet prevê chuvas acima da média e temperaturas elevadas nos próximos meses. Especialistas alertam que extremos climáticos se intensificam pelo aquecimento global, agravado pelo desmatamento e queimadas. A situação exige ações como arborização, proteção da vegetação e preparação dos municípios para ondas de calor e temporais.

A imagem da primavera como uma sequência de dias amenos, jardins floridos e céu tranquilo nunca descreveu bem o clima sul-mato-grossense. Aqui, a estação marca a passagem do período seco para o chuvoso. O calor aumenta, a umidade retorna e tempestades podem se formar. O que merece discussão é a intensidade dos extremos e a capacidade das cidades e do campo de enfrentá-los.

Há uma causa imediata para o calor previsto neste fim de semana: condições atmosféricas que favorecem a permanência do ar quente. Há também uma mudança de fundo. Segundo o painel científico da ONU sobre clima, a atividade humana aqueceu o planeta, tornou os extremos de calor mais frequentes e intensos e contribuiu para o aumento das chuvas fortes em muitas regiões. Isso não permite atribuir cada dia de 43°C ou cada temporal isolado diretamente à ação humana. Permite afirmar que estamos vivendo esses eventos em um mundo que nós mesmos aquecemos.

Como chegamos aqui? Queimamos combustíveis fósseis para transportar pessoas e mercadorias, produzir energia e movimentar a economia. Derrubamos vegetação, ateamos fogo, reduzimos áreas verdes e cobrimos as cidades de asfalto e concreto. As emissões aquecem a atmosfera; no território, a perda de vegetação e a ocupação inadequada agravam a exposição ao calor e aos efeitos da chuva.

Em Mato Grosso do Sul, a discussão ganha urgência porque o Pantanal sofre com o calor, a seca e o risco de incêndios. Nas cidades, são as pessoas que trabalham ao ar livre, os idosos, as crianças e os moradores de bairros com pouca sombra que sentem primeiro o peso dos dias quentes. Quando a chuva chega com força, córregos ocupados, solo impermeabilizado e drenagem insuficiente transformam um fenômeno meteorológico em prejuízo e perigo para a população.

A previsão para a primavera pede ações concretas: proteger a vegetação, impedir queimadas, ampliar a arborização, cuidar das águas e preparar os municípios para ondas de calor e chuva intensa. Também exige reduzir as emissões que alimentam o aquecimento global. Cada governo tem sua parte nessa tarefa, assim como setores da economia e a sociedade.

As flores continuam chegando na primavera. A questão é que já não podemos olhar apenas para elas enquanto o termômetro dispara e o céu ameaça desabar.

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