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O pelo do seu cachorro esconde mais do que você imagina; entenda

Comprimento, textura e densidade dos fios influenciam a proteção dos cães e os cuidados de que cada um precisa

Tutor também precisa observar mudanças na aparência dos fios e na pele. (Foto: Blog Cobasi) Tutor também precisa observar mudanças na aparência dos fios e na pele. (Foto: Blog Cobasi)

A pelagem dos cachorros chama a atenção pelas cores e pelas diferentes texturas. No entanto, por trás da aparência, os pelos têm funções importantes para o organismo e podem dar pistas sobre a saúde e necessidade dos animais. Por isso, entender as características do pelo é fundamental para que os tutores saibam quais cuidados adotar em cada caso.

Segundo o médico-veterinário Thiago Oliveira, a pelagem não deve ser vista apenas como uma questão estética. “Ela participa da proteção da pele, ajuda na regulação da temperatura e pode apresentar alterações no organismo do animal”, pontua.

As características dos fios também estão relacionadas à genética e à adaptação dos ancestrais dos cães aos ambientes em que viviam. “É por isso que algumas raças apresentam pelos curtos e finos, enquanto outras têm fios compridos, encaracolados ou uma camada dupla de proteção”, destaca.

Conhecer essas diferenças ajuda a escolher a escovação adequada, os produtos de higiene e os cuidados necessários para evitar nós, irritações e outros problemas.

Pelo curto - Cães de pelo curto costumam ser associados a uma rotina de manutenção mais simples. Como os fios são menores, a formação de nós tende a ser menos frequente. Isso, porém, não significa que esses animais possam ficar sem escovação ou cuidados regulares.

“Raças como Pug, Boxer, Pinscher e Bulldog Francês são exemplos de cães que podem apresentar pelagem curta e lisa”, pontua o especialista. Na lista também aparecem animais com fios curtos e mais ásperos, como o Fox Terrier e algumas variedades de Dachshund.

Uma diferença importante é que a pelagem curta e fina oferece menos cobertura à pele. Por isso, os tutores precisam ter atenção à exposição prolongada ao sol, ao calor intenso e ao frio. A escovação deve ser feita com cuidado, utilizando acessórios apropriados para não machucar o animal.

Pelo longo - Shih Tzu, Maltês, Yorkshire e Lhasa Apso estão entre os cães conhecidos pela pelagem longa. Nesse grupo, a escovação frequente é uma das principais medidas para manter os fios desembaraçados.

“Quando a manutenção não é feita de forma correta, os pelos podem se unir e formar nós, que acumulam sujeira e dificultam a ventilação da pele. Em situações mais graves, isso pode causar desconforto e esconder irritações ou lesões”, relata.

Além disso, fios muito compridos ao redor dos olhos e das patas podem atrapalhar a visão e a movimentação. A tosa deve considerar as necessidades do animal, e não apenas o resultado estético desejado pelo tutor.

Encaracolados precisam de atenção especial - Poodles são exemplos conhecidos de cães com pelos encaracolados. Essa textura tem particularidades e os fios tendem a se desprender menos visivelmente do corpo, mas podem embaraçar e formar nós com facilidade.

Por isso, a escovação e a manutenção da pelagem são essenciais. “O ideal é utilizar acessórios adequados à textura dos fios e buscar orientação de um profissional de banho e tosa sobre a frequência dos procedimentos”, conta.

Shampoos, condicionadores e hidratantes precisam ser próprios para animais, já que produtos destinados a pessoas podem não ser adequados à pele dos cães.

Pelagem dupla - Alguns cães possuem duas camadas de pelo, uma externa, geralmente mais visível e resistente, e outra interna, mais curta e densa. Essa combinação ajuda no isolamento térmico e protege o corpo diante de variações de temperatura.

Husky Siberiano, Pastor Alemão, Chow Chow e Border Collie são exemplos de raças que podem apresentar pelagem dupla.

Nesses casos, a escovação ajuda a retirar os fios soltos e a evitar o acúmulo de pelos mortos. A manutenção deve respeitar as características naturais da pelagem, especialmente porque a camada interna tem uma função de proteção.

“Antes de tosar um cão desse tipo, é importante conversar com um profissional porque cortar os pelos sem considerar a função de cada camada pode comprometer a proteção natural do animal”, revela Thiago.

Uma pelagem bem cuidada não depende apenas do banho. A alimentação equilibrada, a higiene adequada e a escovação regular também fazem parte da rotina. A frequência dos banhos deve considerar as características do cão, o estilo de vida e as orientações veterinárias.

O tutor também precisa observar mudanças na aparência dos fios e na pele. Pelagem opaca, queda excessiva, falhas, coceira, vermelhidão, feridas ou descamação podem indicar problemas que precisam ser investigados.

“Esses sinais não significam necessariamente que o cachorro esteja doente, mas merecem atenção, principalmente quando aparecem de forma repentina ou persistente”, afirma.

Cuidados para as necessidades de cada cão - Não existe uma única rotina que funcione para todos os cachorros. Dois animais com pelos de comprimento semelhante podem precisar de cuidados diferentes, dependendo da textura, da densidade da pelagem, da condição da pele e de fatores individuais.

“A recomendação para os tutores é conhecer o tipo de pelo do próprio animal e manter uma rotina de escovação, higiene e acompanhamento veterinário compatível com suas necessidades”, finaliza o veterinário.

 

 

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