Gerson Palermo chega em Campo Grande após ser expulso da Bolívia - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Sob forte escolta da Polícia Federal, o megatraficante Gerson Palermo, apontado como integrante do PCC e condenado a penas que ultrapassam 126 anos de prisão, desembarcou em Campo Grande no fim da tarde desta quarta-feira (27), após ser capturado na Bolívia, onde vivia escondido desde 2020.
Conhecido no meio criminal como “Gilero”, Palermo estava foragido após romper a tornozeleira eletrônica e fugir poucos dias depois de obter prisão domiciliar. Na época, ele cumpria pena no Presídio Federal de Campo Grande e deixou o sistema prisional após decisão judicial que autorizou sua transferência para o regime domiciliar.
A captura ocorreu na cidade boliviana de Cotoca, próxima a Santa Cruz de La Sierra, em uma operação integrada entre forças de segurança brasileiras e bolivianas. Segundo autoridades do país vizinho, mecanismos de compartilhamento de inteligência entre os dois países permitiram localizar o paradeiro do traficante, que passou os últimos anos vivendo como empresário do setor agrícola.
Como estava em situação migratória irregular na Bolívia, Palermo foi expulso do país, procedimento mais rápido que um processo formal de extradição.
As investigações que levaram ao avanço das buscas começaram após a Polícia Civil de Campo Grande apurar denúncias de que Palermo teria ordenado o sequestro da própria filha. A motivação, segundo investigadores, estaria ligada a disputas financeiras relacionadas ao tráfico de drogas.
Piloto de aeronaves, Gerson Palermo acumula décadas de envolvimento com o crime organizado. Entre os episódios atribuídos a ele está a participação no sequestro de um avião Boeing carregando cerca de R$ 5 milhões do Banco do Brasil, ocorrido em 2000.
Ele também foi preso em 2007 acusado de liderar um grupo flagrado com 1,5 tonelada de maconha e teve atuação associada ao narcotráfico internacional, utilizando aeronaves para transporte de drogas.
Além do tráfico, Palermo é apontado como um dos protagonistas da maior rebelião prisional da história de Mato Grosso do Sul. O motim ocorrido em 2005, no presídio de segurança máxima de Campo Grande, terminou com sete presos mortos e destruição de alas da unidade.
A fuga de Palermo também teve repercussões institucionais. O caso se tornou pivô do afastamento do desembargador Divoncir Schreiner Maran, após a concessão da medida que permitiu a saída do traficante do sistema penitenciário federal.
Mesmo tendo cumprido aproximadamente oito anos de prisão, Palermo ainda possui dezenas de anos de pena pendentes. Parte das condenações já transitou em julgado, enquanto outros processos seguem em fase recursal.
Agora, a expectativa é que ele retorne ao Presídio Federal de Campo Grande, de onde escapou há seis anos.
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