Quem trafega pelas rodovias de Mato Grosso do Sul já percebe uma mudança na paisagem agrícola. Áreas que tradicionalmente eram ocupadas pelo milho na segunda safra agora dividem espaço com o sorgo, cultura que vem crescendo de forma acelerada no Estado e conquistando cada vez mais produtores.
A expansão ocorre em meio à redução da área destinada ao milho após a colheita da soja. Segundo o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o cereal já ocupou cerca de 75% das áreas cultivadas na segunda safra, mas atualmente esse percentual caiu para aproximadamente 45%, abrindo cerca de 2,5 milhões de hectares para outras culturas.
De acordo com Balta, o sorgo tem se destacado por apresentar menor custo de produção e maior resistência às condições climáticas adversas, especialmente em períodos de estiagem.
"O sorgo é uma cultura de menor risco. Exige menos chuva para se desenvolver e também necessita de menor fertilidade do solo, tornando-se uma alternativa interessante para o produtor", explica.
Outro fator que impulsiona o avanço da cultura é a ampliação do mercado consumidor. Além de ser utilizado na alimentação animal, o sorgo passou a abastecer usinas de etanol instaladas em Mato Grosso do Sul, garantindo maior segurança para quem investe no cultivo.
Na avaliação dos especialistas, a produção de etanol a partir do sorgo também apresenta vantagens econômicas. Embora a produtividade por hectare seja inferior à do milho, o investimento necessário para o cultivo é menor, já que a cultura demanda menos água e menos fertilidade do solo.
O preço do sorgo costuma variar entre 75% e 85% do valor pago pela saca do milho, fator que ajuda a manter a rentabilidade do produtor.
A analista técnica da Famasul, Anize Castilho Monteiro, destaca que, na produção de etanol, os dois grãos apresentam desempenho semelhante.
"Eles produzem praticamente a mesma quantidade de etanol por tonelada. O milho, porém, leva vantagem quando as condições climáticas são favoráveis, porque alcança maior produtividade", afirma.
Segundo ela, o sorgo amplia as possibilidades para a segunda safra e reduz os riscos provocados pela escassez de chuvas, além de fortalecer a cadeia de bioenergia no Estado.
O crescimento das usinas flexíveis, capazes de produzir etanol utilizando diferentes tipos de grãos, também favoreceu a expansão do sorgo em Mato Grosso do Sul.
Com isso, as indústrias conseguem manter o abastecimento de matéria-prima por mais tempo, sem depender exclusivamente do milho. Para o produtor, a diversificação representa mais uma alternativa de comercialização e reduz o risco de perdas em anos de clima desfavorável.
Apesar do avanço da cultura, os especialistas ressaltam que o sorgo não deve substituir o milho, mas sim atuar como uma opção complementar, oferecendo maior segurança econômica e produtiva ao agricultor diante das mudanças no cenário agrícola e climático.

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